28 de Janeiro - Citação do Dia
Moshe Shai, Homeless Man Reading BooksPoema do FuturoConscientemente escrevo e, consciente, medito o meu destino. No declive do tempo os anos correm,Deslizam como a água, até que um diaum possível leitor pega num livroe lê,lê displicentemente,por mero acaso, sem saber porquê. Lê, e sorri.Sorri da construção do verso que destoano seu diferente ouvido;sorri dos termos que o poeta usouonde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo; e sorri, quase ri, do íntimo sentido,do latejar antigodaquele corpo imóvel, exhumadoda vala do poema.Na História Natural dos sentimentostudo se transformou.O amor tem outras falas,a dor outras arestas,a esperança outros disfarces,a raiva outros esgares.Estendido sobre a página, exposto e descoberto,exemplar curioso de um mundo ultrapassado,é tudo quanto fica,é tudo quanto restade um ser que entre outros seresvagueou sobre a terra.António GedeãoBlog de Estimação: Querida Snowshoee:
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14 de Dezembro - Citação do Dia
Global Village, in http://www.boakart.com/paintcube.html Minha AldeiaMinha aldeia é todo o mundo.Todo o mundo me pertence.Aqui me encontro e confundocom gente de todo o mundoque a todo o mundo pertence.Bate o sol na minha aldeiacom várias inclinações.Ângulo novo, nova ideia;outros graus, outras razões.Que os homens da minha aldeiasão centenas de milhões.Os homens da minha aldeiadivergem por natureza.O mesmo sonho os separa,a mesma fria certezaos afasta e desampara, rumorejante searaonde se odeia em beleza. Os homens da minha aldeiaformigam raivosamentecom os pés colados ao chão.Nessa prisão permanentecada qual é seu irmão.Valências de fora e dentro ligam tudo ao mesmo centronuma inquebrável cadeia. Longas raízes que imergem,todos os homens convergemno centro da minha aldeia.António Gedeão
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4 de Junho - Citação do Dia
Tempo de PoesiaTodo o tempo é de poesia.Desde a névoa da manhãà névoa do outro dia.Desde a quentura do ventreà frigidez da agonia.Todo o tempo é de poesia.Entre bombas que deflagram.Corolas que se desdobram.Corpos que em sangue soçobram.Vidas que a amar se consagram.Sob a cúpula sombriadas mãos que pedem vingança.Sob o arco da aliançada celeste alegoria.Todo o tempo é de poesia.Desde a arrumação do caosà confusão da harmonia.António GedeãoEspertalhote: neptumânciaEtiquetas: rómulo