Quarta-feira, Abril 15, 2009

29 de Abril - Daniel, 10 Anos

Foto: Vera

The Land of Counterpane

When I was sick and lay a-bed,
I had two pillows at my head,
And all my toys beside me lay,
To keep me happy all the day.

And sometimes for an hour or so
I watched my leaden soldiers go,
With different uniforms and drills,
Among the bed-clothes, through the hills;

And sometimes sent my ships in fleets
All up and down among the sheets;
Or brought my trees and houses out,
And planted cities all about.

I was the giant great and still
That sits upon the pillow-hill,
And sees before him, dale and plain,
The pleasant land of counterpane.

Robert Louis Stevenson

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Sexta-feira, Março 27, 2009

Adeus, Querida Tânia

foto: Loca-Bandoca

A Uma Rapariga

Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.

Nessa estrada de vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!

Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!

Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste de uma flor!...

Florbela Espanca

10-10-1982
27-03-2009

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Quinta-feira, Março 12, 2009

12 de Março - Citação do Dia

in Jardim Botânico Tropical

Flor em Livro Dormida

Fechado, espalmado num missal é que eu me vejo,
como peça de herbário dum comércio amoroso
que há um século se travou entre Dom Brotoejo
e Dona Amélia Joana Cisneiros Monterroso.

Antepassados meus? Qual quê! Antepassados nossos,
que ao santo sacrifício levavam floretas,
trocavam os missais (Deus meu!, hoje são ossos...)
olhos nos olhos (... ossos nos ossos das comuns valetas?)

Mais que a letra, é o espírito que no livro procuro,
mesmo que seja só o levante da carne
duns pobres queridos que tranformavam tudo
- missa, missal, flor - em mensagens e secreto alarde!

Consumidores de livros, se quiserdes salvar
vossas almas - lombadas de bárbaros prosaicos,
tereis que, furtivos, procurar, folhear
uns quantos alfarrábios e, neles, encontrar
o herbário-mensagem dos amantes heróicos!

Alexandre O'Neill

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Quarta-feira, Março 11, 2009

11 de Março - Citação do Dia

Maria João Franco, um beijo de saudade

A saudade é isto mesmo; é o passar e repassar de memórias antigas.

Machado de Assis, Dom Casmurro

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Terça-feira, Março 10, 2009

10 de Março - Do Baú das Crónicas



Porque Sim

Fazer da cal o bilhete de identidade. Comer o primeiro u de Augusto. Às Marias chamar Bias. Petiscar ao fim do dia. Acreditar em Deus e no Partido Comunista. São coisas dos alentejanos.
Explicar Deus como 'alguém que manda nisto tudo'. Casar pela Igreja. Baptizar os filhos. Ser indiferente à missa. Não faltar à procissão. Desprezar a confissão. Chamar magana à morte. Dizer dos familiares que lhe morreram: 'o meu pai que Deus tem' ou 'a minha Joaquina que Deus tem'. Tirar o chapéu diante do cemitério. Crer em virtuosos (bruxos). Temer as trovoadas como os gauleses do Astérix. Benzer o pão antes de entrar no forno. Não derramar azeite. São coisas dos alentejanos.
Estar apaixonado quando está triste. 'Andar atrás de' quando está apaixonado. Chamar boda ao casamento e ao copo-d'água função. Anteceder os nomes dos filhos do pronome possessivo meu ou minha: o meu João, a minha Ana. Da mulher dizer apenas 'a minha', ignorando-lhe o nome. Não ter trambelho para os trabalhos domésticos. Enforcar-se quando se vê viúvo. São coisas doa alentejanos.
Ver cair a geada. Chamar charoco ao frio e busaranho ao vento gelado. Dizer que está aspereza quando há temporal. Ao sol chamar 'o astro' como se fosse o único no céu. Ao calor chamar calma. Viver com o Suão. Chamar às planuras descampados. Cerros aos outeiros. à floresta arvoredo.
Olhar o horizonte e saber ter vagar. Dizer: 'Estou à espera de me ir embora.' Declarar com solenidade: devagar que tenho pressa. Abalar no comboio da Cuba. A Lisboa chamar aldeia grande. Ter parentes na Brandoa. São coisas dos alentejanos.
Estar de roda do lume. Sentar no chão para conversar. Parar no largo ao olhinho do sol. Ter sempre a navalhinha petisqueira no bolso das calças. Condutar o pão, o vinho e a vida. Beber só em companhia. Cantar quando os outros também cantam. À seca chamar desgraça. Querer a barragem de Alqueva. São coisas dos alentejanos.
Porque sim.

Pedro Ferro, Público, 17 de Setembro de 1995

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Segunda-feira, Março 09, 2009

9 de Março - Citação do Dia

Melanie Fischer, Árvore

Há metáforas que são mais reais do que a gente que anda na rua. Há imagens nos recantos dos livros que vivem mais nitidamente que muito homem e muita mulher. Há frases literárias que têm uma individualidade absolutamente humana.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego


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Sábado, Março 07, 2009

7 de Março - Citação do Dia

O fascismo felizmente é estúpido, suficientemente estúpido e cruel para se devorar a si mesmo.

António Lobo Antunes, Os Cus de Judas

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